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quinta-feira, 19 de março de 2009
19 de Março de 2008
Sei que sabes que estás sempre presente, apesar da distancia que nos separa - infinita - Quase todos os dias, num momento ou num outro, pelos mais diversos motivos, penso em ti. Por vezes, falo contigo, utilizando palavras sem som, mas que eu tenho a certeza que tu ouves. Por vezes, respondes-me mesmo antes de eu formular as perguntas. Partilho contigo os meus medos, as minhas angustias, as minhas alegrias, os meus projectos, sei que me compreendes, que posso contar contigo, sempre terás, como sempre tiveste, uma palavra de carinho, um gesto de ternura.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Até sempre
Ceivães, 19 de Março de 2008
Querida Mãe,
Estive contigo nos últimos instantes da tua vida, a minha mão a apertar a tua, a acompanhar-te nos últimos metros do teu percurso terrestre e na entrada para um repouso mais do que merecido, após sete anos de combate intenso, mas sempre digno e corajoso contra a doença, que, mesquinha e cobarde, te enganou a ti, a nós e à medicina. Nestes últimos 15 dias em que tive o privilégio de te acompanhar, apesar do teu sofrimento, de saberes que já não tinhas força para continuar o combate, tiveste sempre uma palavra, um gesto, um olhar para te preocupares comigo. Que eram horas de ir almoçar, que eram horas de regressar a casa para não jantar às tantas. Apesar do teu imenso sofrimento, de sentires a vida a escapar, o teu amor de mãe sobrepunha-se a tudo isso e conseguias arranjar força para te preocupares comigo, com o meu bem estar. Que enorme lição me deste, uma última das muitas ao logo da vida. A maior delas foi teres-me dado a certeza que quem ama não morre. Porque, o amor que me deste ao longo da vida, e sobretudo nas últimas horas, deu-me uma certeza – nunca mais te esquecerei – por isso enquanto eu viver, tu também vives. Continuarei a dizer nos dias em que por cá andar – a minha Mãe faz hoje anos; a minha Mãe é a pessoa que gosta mais de mim. A minha Mãe vive – no meu coração, no meu pensamento
Querida Mãe,
Estive contigo nos últimos instantes da tua vida, a minha mão a apertar a tua, a acompanhar-te nos últimos metros do teu percurso terrestre e na entrada para um repouso mais do que merecido, após sete anos de combate intenso, mas sempre digno e corajoso contra a doença, que, mesquinha e cobarde, te enganou a ti, a nós e à medicina. Nestes últimos 15 dias em que tive o privilégio de te acompanhar, apesar do teu sofrimento, de saberes que já não tinhas força para continuar o combate, tiveste sempre uma palavra, um gesto, um olhar para te preocupares comigo. Que eram horas de ir almoçar, que eram horas de regressar a casa para não jantar às tantas. Apesar do teu imenso sofrimento, de sentires a vida a escapar, o teu amor de mãe sobrepunha-se a tudo isso e conseguias arranjar força para te preocupares comigo, com o meu bem estar. Que enorme lição me deste, uma última das muitas ao logo da vida. A maior delas foi teres-me dado a certeza que quem ama não morre. Porque, o amor que me deste ao longo da vida, e sobretudo nas últimas horas, deu-me uma certeza – nunca mais te esquecerei – por isso enquanto eu viver, tu também vives. Continuarei a dizer nos dias em que por cá andar – a minha Mãe faz hoje anos; a minha Mãe é a pessoa que gosta mais de mim. A minha Mãe vive – no meu coração, no meu pensamento
domingo, 30 de dezembro de 2007
Uma grama ou milímetro a menos de egoísmo.
2007 chega ao fim; tempo de balanços, retrospectivas e novas resoluções para o ano de 2008 que esta à porta.
De 2007, pouco ou nada de bom retenho. Perdi mais algumas costelas da alma portuguesa, pouco a pouco deixo de ser português, para não conseguir ser nada.
Definitivamente agnóstico, não festejei o natal, não comi bacalhau com couves, filhoses ou bolo-rei. Não decorei a arvore, que à dois anos não sai da cave, não distribui nem recebi prendas.
Na lenta rotação da vida sobre si mesma, os laços familiares vão-se corroendo, de sólidas amarras passam a frágeis linhas, a amizade é substituída por rancores e aversão.
Não sei se o egoísmo se pesa ou se mede, mas um ano 2008 com uma grama a menos de egoísmo, seria já um bom ano.
De 2007, pouco ou nada de bom retenho. Perdi mais algumas costelas da alma portuguesa, pouco a pouco deixo de ser português, para não conseguir ser nada.
Definitivamente agnóstico, não festejei o natal, não comi bacalhau com couves, filhoses ou bolo-rei. Não decorei a arvore, que à dois anos não sai da cave, não distribui nem recebi prendas.
Na lenta rotação da vida sobre si mesma, os laços familiares vão-se corroendo, de sólidas amarras passam a frágeis linhas, a amizade é substituída por rancores e aversão.
Não sei se o egoísmo se pesa ou se mede, mas um ano 2008 com uma grama a menos de egoísmo, seria já um bom ano.
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