A saudade, a par da sardinha assada, cuspir e atirar as cascas de amendoins e tremoços para o chão, é certamente uma das características da identidade genética dos portugueses. Podemos falar várias línguas, viver a milhares de Km do território nacional, comer Sushis pizzas ou fondue, mas a saudade relembra-nos as nossas raízes. Hoje, sem motivo preciso, dei comigo a ter saudades da praia de Âncora. Poucas vezes lá fui, recordo-me (sem saudade) das águas geladas do mar, que nos enquerquilhavam os tomates, mas sobretudo dos charcos de água em alturas de maré baixa, aquecidos pelo sol e enriquecidos com os detritos do rio Âncora. Nessas piscinas naturais, além de se retemperar os acima falados, havia sempre uma animação suplementar: não era raro, ao vir à tona de um mergulho, ter pendurada no nariz uma camisa (sem mangas), grãos de merda nas orelhas e outras preciosidades arrastadas pelo riacho. Muitas vezes, havia mais gente a banhos nos charcos que no mar, e não me recordo de ouvir dizer que houvesse grandes epidemias, alergias ou indisposições. Também é verdade que não existiam médicos ou centros de saúde onde uma pessoa se ir queixar de diarreias, vómitos e enjoos. Talvez também a merda de outros tempos fosse mais saudável do que são hoje muitos alimentos. Enfim saudades, são como gostos e cores, cada um tem as tem e não se discutem.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Saudades
A saudade, a par da sardinha assada, cuspir e atirar as cascas de amendoins e tremoços para o chão, é certamente uma das características da identidade genética dos portugueses. Podemos falar várias línguas, viver a milhares de Km do território nacional, comer Sushis pizzas ou fondue, mas a saudade relembra-nos as nossas raízes. Hoje, sem motivo preciso, dei comigo a ter saudades da praia de Âncora. Poucas vezes lá fui, recordo-me (sem saudade) das águas geladas do mar, que nos enquerquilhavam os tomates, mas sobretudo dos charcos de água em alturas de maré baixa, aquecidos pelo sol e enriquecidos com os detritos do rio Âncora. Nessas piscinas naturais, além de se retemperar os acima falados, havia sempre uma animação suplementar: não era raro, ao vir à tona de um mergulho, ter pendurada no nariz uma camisa (sem mangas), grãos de merda nas orelhas e outras preciosidades arrastadas pelo riacho. Muitas vezes, havia mais gente a banhos nos charcos que no mar, e não me recordo de ouvir dizer que houvesse grandes epidemias, alergias ou indisposições. Também é verdade que não existiam médicos ou centros de saúde onde uma pessoa se ir queixar de diarreias, vómitos e enjoos. Talvez também a merda de outros tempos fosse mais saudável do que são hoje muitos alimentos. Enfim saudades, são como gostos e cores, cada um tem as tem e não se discutem.
domingo, 10 de agosto de 2008
O que não há (não só em Agosto à noite e não só no Algarve)
O Pedro Santana Lopes, acaba de se dar conta que no mês de Agosto, à noite, não existe um oftalmologista de serviço no Algarve. Se o Pedro se informar minimamente, ficará a saber que na maioria das regiões do Pais não existe um oftalmologista, otorrinolaringologista, ortopedista, dermatologista, reumatologista, nem de dia nem de noite, nem em Agosto, nem em Maio, tão pouco em Fevereiro como Outubro. Para se informar, basta consultar as listas de espera das especialidades dos Hospitais Distritais, para ver que muitas ultrapassam os 360 dias. É uma vergonha, como diz o Pedro Santana Lopes, mas ele è um dos responsáveis. Mas quando nos toca, indignamo-nos. Sem desejar mal a ninguém, dei comigo a pensar que se os políticos, familiares e amigos chegados estivesses sempre doentes, em Agosto, no Algarve ou em Janeiro na Serra da Estrela, talvez os serviços de saúde em Portugal melhorassem.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Dia 1 de Agosto, Dia da Confederação Helvética
Uma pequena balada nos Alpes, história de festejar o feriado nacional na Suíça. Partida as 10H de Lausanne, 1h30 depois chegada a Ovronnaz, estação Alpina do cantão do Valais, a 1390m de altitude. Visita de “reconhecimento” às termas, com hotel e piscina exterior com agua entre 32° à 35°. Espero brevemente vir cá passar um fim de semana, mas no inverno, quando estiver tudo rodeado de neve, com temperaturas de 5 graus negativos.Meio dia, pausa aperitivo. 1/2 l de Fendant, excelente vinho branco da região, uma tábua “Valaisanne” (presunto, carne seca, chouriço, salsichão, queijo local). 1h30, partida no teleférico, até La Jorasse (1960m). Depois, 1h a trepar até ao cimo do monte La Forcle (1260m), seguido da descida ate Ovronnaz, aproveitando o ar puro e as magnificas paisagens alpinas.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Petróleo em Boliqueime
Todas as quintas-feiras, dia de folga, consagro (ou perco, consoante), duas a três horas aos assuntos da pátria. Primeiro, leio as edições da semana da Mailing-List “O correio dos outros”, excelente trabalho do Pedro Aniceto dedicado à comunidade Apple Portuguesa. Depois, percorro alguns blogues, nomeadamente o Jumento e Reflexões de um cão com pulgas, este também do Pedro Aniceto. E depois leio os jornais – O Publico, desde sempre o meu preferido, o Diário Digital, JN, Expresso e SOL.
Esta Quinta-Feira, no Publico e depois nos outros media, chamou-me a atenção a intervenção do Presidente da Republica, assunto tabu, agendada para as 8 da noite, em directo, nos telejornais. Depois da habitual partida de ténis, pelas duas da tarde, de regresso a casa, voltei a consultar os jornais on-line, e todos sem excepção, mencionavam a intervenção, inédita do Sr. Silva – O assunto devia ser importante, para o homem interromper as férias e dirigir-se ao país.
Quinta-Feira é também o meu dia de participar à tarefa de limpeza caseira - Passar o aspirador, limpar a casa de banho, cozinha e corredor, limpar o pó. Hoje ficou tudo mal limpo. Passei o tempo a “espreitar” as notícias do burgo no meu iMAC; saltava do DD para o Publico, deste para o Expresso, e por aí adiante . O suspense atingia o auge. Que raio de coisa tão importante se passava na minha pátria para o Silva intervir às 20H, em directo nos Telejornais? Factos, relevantes, no meu cantinho à beira-mar plantado, à parte o Cristiano Ronaldo ter comido mais uma celebridade, O Camelo estar finalmente em vias de o ser, e o Boavista descer de divisão, não conseguia descortinar. Será que o Sr. Silva iria vetar a pretensão do Camelo a ser realmente Camelo? Era uma hipótese. Contudo, para interromper as férias, deveria ser algo de muito mais importante. Estava a limpar a sanita, quando se fez túnel ao fundo da luz – neste momento, o que preocupa realmente os portugueses é o preço da gasolina. E se o Presidente, de férias em Boliqueime, tivesse descoberto um poço de petróleo, para mais sem fundo? Era um motivo mais do que importante para intervir em directo nos TJs - anunciar a gasolina a 50 ct. E assim responder ao computador a 20 Euros do Sócrates.
Uma vez não é costume, depois do jantar, sintonizei a televisão na RTPI. Apostei um jantar – que me apetecia oferecer – com a minha esposa e a minha filha, que o Sr. Silva iria anunciar a descoberta de petróleo em Boliqueime. Quando o sujeito começou a balbuciar disparates inaudíveis sobre os Açores – se ainda fosse sobre as Berlengas – vi logo que tinha que pagar o jantar, facto logo confirmado pelo José Rodrigues dos Santos – A montanha pariu um rato.
Esta Quinta-Feira, no Publico e depois nos outros media, chamou-me a atenção a intervenção do Presidente da Republica, assunto tabu, agendada para as 8 da noite, em directo, nos telejornais. Depois da habitual partida de ténis, pelas duas da tarde, de regresso a casa, voltei a consultar os jornais on-line, e todos sem excepção, mencionavam a intervenção, inédita do Sr. Silva – O assunto devia ser importante, para o homem interromper as férias e dirigir-se ao país.
Quinta-Feira é também o meu dia de participar à tarefa de limpeza caseira - Passar o aspirador, limpar a casa de banho, cozinha e corredor, limpar o pó. Hoje ficou tudo mal limpo. Passei o tempo a “espreitar” as notícias do burgo no meu iMAC; saltava do DD para o Publico, deste para o Expresso, e por aí adiante . O suspense atingia o auge. Que raio de coisa tão importante se passava na minha pátria para o Silva intervir às 20H, em directo nos Telejornais? Factos, relevantes, no meu cantinho à beira-mar plantado, à parte o Cristiano Ronaldo ter comido mais uma celebridade, O Camelo estar finalmente em vias de o ser, e o Boavista descer de divisão, não conseguia descortinar. Será que o Sr. Silva iria vetar a pretensão do Camelo a ser realmente Camelo? Era uma hipótese. Contudo, para interromper as férias, deveria ser algo de muito mais importante. Estava a limpar a sanita, quando se fez túnel ao fundo da luz – neste momento, o que preocupa realmente os portugueses é o preço da gasolina. E se o Presidente, de férias em Boliqueime, tivesse descoberto um poço de petróleo, para mais sem fundo? Era um motivo mais do que importante para intervir em directo nos TJs - anunciar a gasolina a 50 ct. E assim responder ao computador a 20 Euros do Sócrates.
Uma vez não é costume, depois do jantar, sintonizei a televisão na RTPI. Apostei um jantar – que me apetecia oferecer – com a minha esposa e a minha filha, que o Sr. Silva iria anunciar a descoberta de petróleo em Boliqueime. Quando o sujeito começou a balbuciar disparates inaudíveis sobre os Açores – se ainda fosse sobre as Berlengas – vi logo que tinha que pagar o jantar, facto logo confirmado pelo José Rodrigues dos Santos – A montanha pariu um rato.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Joder, macho !
Este últimos tempos tenho verificado em pormenor as minhas costelas, à cata de algumas da banda de lá (do rio Minho). Natural de uma aldeia que dista 300m da Galiza é possível que algum dos meus antepassados seja galego, ou pelo menos arraçado, legitimando assim o orgulho que sinto quando Rafael Nadal vence Roland Garros e Wimbledon, estando prestes a destronar Federer, a selecção se sagra campeã da Europa e Carlos Sastre vence a Volta a França.
E viva España.
E viva España.
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