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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Saindo da recessão

Hoje foi um dia em que ganhei muito dinheiro, como diz o José Sócrates pode ser o principio do fim da crise . Precisando de refazer o guarda roupa - camisas, gravatas, meia dúzia de pares de miotes e três ou quatro pares de ceroulas, fui deambular pelo centro da cidade. Após meia hora de «window-shopping», passei em frente ao Palace, por volta das onze. Como as compras durariam entre hora e hora e meia, quando acabasse estaria na hora de almoçar. Dei uma olhadela ao cardápio, menu «businness» a 60 €, uma taça de champagne em aperitivo a 15€, café e cognac, a factura rondaria os 100 €. Entrei para reservar uma mesa, viria por volta das 12h30 - 12h45.

Continuando a caminhada, decidi-me a entrar numa das luxuosas lojas da rua comercial mais chique cá do burgo. Logo abordado por uma vendedora, expliquei o que necessitava. Experimentei uma camisa Pierre Cardin, que me assentou como uma luva - a 150 € também não seria de esperar outra coisa. Ficou assente que o número e modelo me convinham, bastava escolher as cores. Uma azul, uma às riscas, outra em tons esverdeados, outra aos quadrados, com as respectivas gravatas e miotes a condizer. As ceroulas, Gucci, 80 €, em três coloridos diferentes, foram de escolha rápida. A vendedora ainda me chamou a atenção para um fato em promoção, uma autêntica pechincha. Feitas as contas, 4 camisas a 150€, 3 gravatas a 60 €, 4 pares de miotes a 20 €, mais o fato a 750 €, assim por alto, 1800 €. Pedi que me pusessem tudo de lado, ia almoçar ao Palace e no regresso decidiria se levava o fato ou não.

Dirigindo-me em direcção ao Palace, disse-me a mim mesmo - porque não ganhar umas centenas de euros sem fazer nada? Sobretudo que nestes tempos de crise nada é demais. Passei em frente ao Palace, mas não entrei. Em vez disso, fui comer à tasca do Donald, um pouco mais adiante, um prego americano e uma tijela de Alvarinho de Friestas pour 5 €, o equivalente à gorjeta que teria de deixar no Palace. Feitas as contas, comi de borla e ganhei 100 €. Também não voltei à loja. Uma vez que em breve penso ir Portugal, passo na feira de Cerveira e pour 250 ou 300 € compro o fato, as camisas, as gravatas os miotes e as ceroulas, e a coisa bem trabalhada, ainda me oferecem dois panos de cozinha e um mata moscas. 1800 € menos 300€, 1500 € ganhos, limpos de impostos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A praia, o parque e o ifi

Este ano o senhor Gregório passa a maior do tempo na tenda do parque de campismo, vai de manhãzinha à praia molhar os pés, logo depois de regressar do mercado, depois não abandona mais o parque. Nos anos anteriores, passava a tarde na praia, debaixo do chapéu, ora apanhando frio e cacimba - é raro na Praia de St. Cruz estar bom tempo - ora apanhando com a areia nas ventas. O esforço e sacrifício eram magramente compensados, com o aguçar do olho sobre as nádegas e tetas das morenaças que passavam. De ano para ano - já lá vão trinta anos que o Gregório passa um mês de ferias no mesmo parque de campismo - ia mantendo em dia uma contabilidade sui generis - os centímetros de tecido cobrindo as partes diminuíam a olho nu. Da cueca cobrindo todo o rabo e boa parte das coxas de há trinta anos atrás até ao fio enfiado no cu e os dois centímetros quadrados de tecido na parte da frente de hoje, que evolução!
Mas este ano, o Gregório mandou a contabilidade às ortigas, já não precisa de apanhar com o frio e areia nas ventas para aguçar o apetite e isso graças ao plano tecnológico do Engenheiro (mesmo que não o seja, como pretendem alguns invejosos). Uma tarde, o Gregório apanhou o neto na tenda embicado com o Magalhães, exercitando a mão direita, aquecido pelo que via no écran. Após negociações - chantagem, diria o neto, este consentiu em alugar o Magalhães ao avo durante as tardes e a mostrar-lhe como aceder ao ifi do parque a troco de uns cêntimos para uma imperial e umas caracoletas no bar da praia.
Recostado no cadeirão, no interior do avançado, retirado de olhares indiscretos, o Gregorio passou a surfar, não nas agitadas vagas do Atlântico, mas nas quentes vagas do portnotube.
A D. Deolinda, essa passou o mês a tranquilizar amigos e conhecidos - não, O Gregório não está doente, vem todos os dias de manhãzinha à praia, mas à tarde aproveitando a bondade do neto, que lhe empresta o Magalhães, dedica-se à aprendizagem da polgamação. E faz-lhe muito bem exercitar o cérebro, dizia a D. Deolinda, parece que está mais novo 20 anos!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Historias de emigração

Com a chegada do mês de Agosto, chega a grande vaga dos emigrantes a Portugal, animando as desertificadas aldeias e vilas do interior. Emigrantes desejados e queridos pelo carcanhol que deixam nas suas terras, detestados por pavonearem o seu sucesso, ou fruto dos seus sacrifícios com carros de alta cilindrada, manias de superioridade e sobretudo por resmungarem em francês em tudo quanto é sitio.
Cada emigrante tem a sua historia e as suas recordações, e como tal eu também tenho a minha. Emigrei muito novo, com 13 anos rumei do meu Minho natal para o Norte do Norte de África, seguindo as pisadas de muitos familiares e conterrâneos.
Da minha primeira viagem, de comboio, acompanhado pelos meus avós, recordações inesquecíveis; a saída às 5h30 de Monção, vantagem de embarcar na primeira estação, um lugar sentado assegurado, pelo menos até ao Porto. Primeiro passatempo, contar as estações e apeadeiros até Viana do Castelo. De Viana até ao Porto, invadido pelo cansaço e sonolência, fruto de uma noite em branco devido à excitação da viagem, ia dormitando por intermitência, acordando com o barulho dos travões e solavancos da carruagem à chegada de cada estação. Pelas 10h, mudança de comboio em Campanhã, deixando a linha do Minho e embarcando na linha do Norte.

A chegada a Alfarelos, marcou a segunda etapa da viagem. Hora e meia de espera pelo comboio da Linha do Oeste, que ligava a Figueira a Lisboa, com paragem no destino final, Torres Vedras, pelas 8h30 da tarde. Em Alfarelos, altura de atacar o farnel, pasteis de bacalhau e coelho guisado, tudo regado com dois copos de Alvarinho de Friestas, morninho quanto baste. Um dos momentos altos em Alfarelos, foi a ida à retrete; a 20 metros da porta, o fedor intenso dissuadia o mais corajoso a aventurar-se mais longe, mas a aflição obrigou-me a fazer das tripas coração e entrar. Merda por todo o lado, moscas a zumbir, os pasteis de bacalhau e a perna de coelho às voltas no estômago.
Ainda só estava a meio da viagem, e que saudades já tinha da minha aldeia, onde uma pessoa se podia aliviar debaixo das latadas ou atrás de um carvalho, respirando o ar puro e perfumado do Verde Minho.

De Alfarelos até Torres Vedras, começou a aprendizagem do novo mundo, da nova língua. Expressões e nomes nunca ouvidos, a descoberta da letra V - em vez do bamos, do biba o vamos, o viva. Alguém ao lado dizia que lhe apetecia uma bica, ao que o colega retorquía que com o calor que estava sabia melhor uma imperial, estava eu longe de adivinhar que se tratava de um simples café ou de um fino. Uma das coisas que me chamou a atenção, foi a diferença dos bigodes das senhoras. A partir do Porto as senhoras que iam entrando tinham bigodes mais pequenos e claros, contrastando com os das senhoras da minha terra, mais pretos e compridos. Como característica comum, de Monção até Torres Vedras, o cheiro a suor e mijo. Esse, mais ou menos intenso, encontrou-se presente todo ao longo da viagem, atravessando as linhas do Minho, do Norte e do Oeste, verdadeiro elo de ligação entre povos e culturas - descendentes de Celtas como eu e dos Moçarabes de além Mondego.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dia de ir à merda

Da quadra pascal guardo muitos "souvenirs", por exemplo, a cóboiada do confesso, onde no acto mesmo se pecava, ao inventar pecados que o padre gostava de ouvir - por exemplo confessar como pecado consumido o fantasma de apalpar as mamas da Gloria ou as coxas da Teresa, pecados que o abade se empenhava em desenvolver, procurando sempre saber mais, se não tinha apalpado mais nada, e a mais ninguém. Curiosamente, mais o rol de pecados aumentava, mais branda era a penitência.
Por exemplo, o fartote de doçarias, entre pães de ló, tortas, bolos de coco e por aí fora; A festa começava nos dias anteriores, onde em troca de lavar a louça ganhava o direito de rapar os tachos com os restos das massas dos bolos, tendo mesmo direito a um copo de vinho "fino".
Por exemplo, estrear calças novas, por vezes um casaco, quase sempre uns sapatos. Ainda me lembro de uma vez em que ia apanhando uma tareia, por no dia mesmo ter estragado a biqueira do pé direito, fruto de um penalti apontado à Eusébio, numa peladinha jogada no caminho, enquanto se esperava a chegada da comitiva pascal, valeu-me a solenidade da quadra para escapar ao castigo.
Por exemplo, no sábado ao cair da tarde ter ir pedir merda ao Anselmo. Sim, merda - mais precisamente bosta de vaca - necessária para, juntamente com borralha fazer a mistura que vedaria a porta do forno onde no domingo de manhã assaria o carneiro ou ovelha tradicionais da quadra.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Os pais do telemóvel

..."Um deles acabou por cair e fazer um pequeno golpe na cabeça, mas que estava a deitar muito sangue. O irmão dele telefonou aos pais do telemóvel a dizer que ele estava muito mal e, cinco ou dez minutos depois, chegaram várias carrinhas", contou....
A notícia ou pelo menos a redacção deste parágrafo também me soa a agressão do Português. E se Luís de Camões se erguesse do túmulo e invadisse a redacção do JN armado com um pau à procura do agressor?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Fica para a próxima

Os saldos estão quase a acabar e eu ainda não comprei nada, nem mesmo um par de truces. No inicio, era um mar de gente à volta das bancas atafulhadas de artigos de marca a preços irresistíveis, não tive pachorra para esperar pela vaga. Agora no fim, só sobram trapos, mexidos e remexidos, até no lixo se encontram coisas em melhores estado, ainda para mais com 100% de desconto.
Paciência, fica para a próxima.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Aconteceu hoje

Aurelie, vaca de raça simmental pariu o touro Nicolas - concebido a partir de inseminação artificial e com sémen geneticamente modificado. É o primeiro de uma nova raça - touros sem cornos e duplo órgão reprodutor. O recém-nascido será utilizado para reprodução intensiva podendo fornicar 15 vezes a dia - utilizando ora um, ora outro dos seus órgãos reprodutores.
E ainda,
George W. Bush saiu da casa branca, indo dizer disparates para outro lado, Barack Obama entrou para a mesma. Parece que dois milhões de tolos estiveram a acotovelar-se, sofrer pisadelas e apanhar frio para ouvir um tipo a recitar um discurso escrito por outro tipo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Reabilitação das carroças

Como o mundo anda tolo, poderão as coisas mais estranhas e improváveis acontecer, como a avó Manuela ganhar as próximas eleições. Se tal acontecer, poderemos de novo saborear uma viagem de carroça. Que piada tem uma pessoa embarcar num CAV às sete horas em Valença e duas horas e meia depois estar em Lisboa? Num percurso tão rápido, muitas conversas ficariam a meio, seria sempre difícil uma pessoa inventar uma boa mentira para impressionar o vizinho de assento. Não haveria tempo para apreciar a paisagem envolvente, ao passar em Gaia a tal velocidade, nem se conseguiria distinguir a cor das ceroulas penduradas nas marquises dos prédios.
Viva a carroça. Mas dirão alguns, carroças ainda se podem arranjar, mas cavalgaduras para as traccionar? Não se atrapalhem, há muito que foi criado um viveiro delas para os lados de S. Bento.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Viveremos 20 vezes melhor do que há 40 anos, ou fedemos 20 vezes menos?

Em 1969, existiam 4 produtos de higiene em minha casa : sabão amarelo, sabão tipo Marselha, lixívia, e o sabonete Lux, reservado para o banho semanal. Com estes quatro produtos, lava-se tudo quanto tinha de ser lavado. O chão da sala, a roupa, os pratos e tachos, a merda das unhas e o sarro do pescoço.
40 anos depois, tenho uma dezena de produtos de limpeza diferentes na cozinha, outros tantos para a limpeza da casa de banho, seis ou sete para a roupa. No que respeita à higiene pessoal, entre os shampôs sport , anti-caspa, anti-queda, shampô hidratante, shampô de verão contra os efeitos do sol e sal, os sabonetes perfumados, líquidos, e hidratantes, a espuma de banho, sais de banho e gel hidratante, são para cima de cinquenta. Ao todo, são pelo menos 80 produtos. Comparando com os quatro de há quarenta anos, são vinte vezes mais. Utilizando esta tabela comparativa, vivemos vinte vezes melhor do que há quarenta anos. Ou, vistas as coisas por outro prisma, fedemos vinte vezes menos. Que importa, no ano de crise em que entramos, temos margem; poderemos perder alguma qualidade de vida, em vez de quarenta ou cinquenta tubos, frascos e bisnagas, teremos quinze ou vinte. Ou passaremos a feder mais, mas ainda assim muito menos do que fedíamos à quarenta anos. Há que guardar um espírito positivo e enfrentar a crise com coragem e optimismo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Efeitos colaterais da crise

Como devido à crise os Gregos já não se podem dar ao luxo de partir os pratos depois do repasto, desforraram-se a partir os desgraçados dos benfiquistas.
Para não cair de muito alto, o mesmo Benfica recusou-se a ganhar ao Setúbal e ascender ao primeiro lugar da Liga.

domingo, 16 de novembro de 2008

Investir sim, mas na pêra rocha

Há seis meses atrás, o preço do petróleo ultrapassou os 100 USD, com a justificação de que o ouro negro estava no fim, as reservas deveriam esgotar em 2024. Seis meses depois, o mesmo liquido caiu para metade do preço. Ora eu não ouvi dizer que se tivessem descoberto mais jazigos, salvo se os de Torres Vedras tenham finalmente começado a jorrar, sem que a TVI e o Correio da Manha o tenham noticiado.
Há seis meses atrás, os mais conceituados jornalistas, analistas e economistas, tanto nos jornais lusos, suíços, franceses ou ingleses- os que eu costumo consultar - eram unânimes em afirmar que no final de 2008, ou o mais tardar em meados de 2009, o deposito de um carro "normal" custaria em media 150 € - ou seja 3 € litro.
Preocupado, comprei uma bicicleta eléctrica, pois a 150 € o deposito, ou deixava de fumar, de comer ou de praticar ténis, o certo é que com os míseros 5 000 CHF que ganho por mês, não podia manter o carro, dar cabo dos pulmões, pagar as bolas e a cordagem da raquette. Optei por deixar de lado o carro, de toda a forma em 2024 todos teríamos de os deixar.
Num rasgo de génio - pelo menos foi o que me pareceu na altura - esvaziei a sala, corredor, despensa e marquise e comprei barris de 100 litros para começara armazenar gasolina. Até as mesinhas de cabeceira substitui por barris de 50 L. Consegui assim armazenar uns milhares de litros. A 1.3 € o litro - preço médio a que o comprei e a vender ele (terminologias saloias) a 3€ seis meses depois, ganhava uma boa maquia.
Hoje, a gasolina já se vende a cerca de um euro e eu já perdi todas as minhas economias. Puta que pariu esses jornalistas, analistas e economistas de merda, que nem para redigir o Borda d'Água serviriam.
Mas nem tudo está perdido. Como consolação, posso comprar um Buick de seis cilindros, tenho com que lhe dar de beber para os próximos anos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pangatouille


Como sou o primeiro a chegar a casa tenho a grata, por vezes ingrata, tarefa de preparar o jantar; para não ter o trabalho de preparar dois pratos diferentes - a minha filha deixou de comer carne já lá vão seis anos - o menu exclui as costeletas, fêveras, bifes ou a massa guisada com carne - de tempos em tempos, prepara-se um frango assado no forno, de preferência quando a Sílvia esta de saída .
Como não gosto de bacalhau cozido com batatas nem de cabeças de pargo, e aqui não consigo encontrar atum de barrica, vejo-me obrigado a puxar pelos neurónios, frequentemente a inventar, como ontem. Tinha comprado um misto de legumes para a ratatouille, mas não me apeteceu ir ler a receita. Após uma vista de olhos no congelador, deparei com uns filetes de Panga; separei quatro. Tirei os legumes do frigorífico : 1 beringela; 2 curgetes; 2 tomates; 1 pimento; 1 cebola. Sem grande convicção, fui preparando os legumes. Comecei por picar a cebola, juntamente com dois dentes de alho. Pus a cebola e alho a alourar num dl de azeite. Continuei a preparar os legumes, cortando os tomates em pequenos cubos, as beringelas, curgetes (mais quatro batatas que acrescentei) em rodelas, o pimento em tiras, os filetes em pedaços. Alourada a cebola juntei os tomates e 0.5dl de vinho branco. Deixei cozer 5 minutos. Juntei uma chávena de agua e coloquei os restantes legumes. Polvilhei com pimenta, cloral e noz moscada ( não utilizo sal para preservar o coração, o maço de cigarros que fumo por dia não deixa lugar para mais excessos).
Deixei cozer 20 minutos e comecei a pôr a mesa. O cheiro do tacho começa a excitar as narinas, momento propicio para um aperitivo, por exemplo um copo de Alvarinho de Friestas, que agora se compra em pacote; eu habituei-me a um gin tónico, há quem prefira uma mini, um favaios ou um porto.
Após 20 minutos de cozedura, coloquei os filetes de panga no tacho, sobre os legumes, deixei-os cozer durante 10 minutos com o vapor do caldo de legumes. 45 minutos, foi o tempo que gastei entre preparação e cozinhado. Estava bom? Não sobrou nada, as minhas companheiras serviram-se duas vezes! Melhor cumprimento não podia ter.
Bom apetite.

domingo, 14 de setembro de 2008

Porque não um veterinário?

Médico dentista assegurou Urgência Básica em Odemira sem formação para o fazer.
Esta situação parece provocar alguma admiração, mas sinceramente não percebo porque. Se alguém chegar a um serviço de Urgência Básica em Portugal, numa situação complicada, o porteiro chega para resolver – prepara os papeis e organiza o transporte para o hospital mais próximo, que com sorte poderá estar a menos de 100KM.
Se o utente, cliente ou doente conseguir explicar o que lhe dói, onde, e desde quando, parece-me que alguém que saiba ler e escrever, ou melhor ainda, se tiver acesso à Net, poderá receitar um medicamento para aliviar as dores, ate à marcação da consulta no especialista, algumas semanas ou meses depois. Um dentista reformado serve perfeitamente, um medico a 2500 € por noite é um luxo desnecessário. Mais eficaz ainda, seria um veterinário, pois se consegue compreender a aflição de um animal, sem este lhe diga o que sente, com certeza que conseguiria compreender a dor do cliente e receitar as pírulas adequadas, antes mesmo de este abrir a boca. E se calhar só pediria 150€ por noite.

Carcaças ou vianinhas?

"...A GNR identificou os elementos da comissão de festas de Monsaraz e apreendeu a carcaça do animal. As autoridades estão também a envidar esforços para identificar o autor material da morte do animal, adiantou a mesma fonte."
Alguma coisa não bate certo na noticia. Se a GNR apreendeu a carcaça (esqueleto) do bicho, os gajos que o mataram, tiveram tempo de o descarcaçar - para fazer um cozido? Ou será que a população de Monsarraz oferece uma carcaça ao touro, género prémio de consolação pelo destino que o espera? Só que este, pelos vistos, não teve tempo de a comer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Please, don’t call.

Embora não sendo grande utilizador de telemóveis – nos últimos 4 anos nem 100 euros gastei em comunicações – também não resisti à onda do iPhone, tendo recentemente adquirido um. Como o iPhone é muito mais do que um simples telefone - um puro objecto de design, aliado a um concentrado de tecnologia “avant-garde” - claro que ando sempre com ele, ao contrario do que se passava com o meu velho Nokia, que ficava a maior parte das vezes em cima da secretária ou no bolso de um casaco. Costumo chegar ao trabalho por volta das 8h20, e a primeira coisa que faço, após ligar a maquina do café, é aliviar os intestinos. Não sei porquê, mas o chegar ao local de trabalho, dá-me a vontade. Há quem o faça em casa, de manhã, quem o faça antes de deitar, há mesmo quem cague a todas as horas e em todo o sitio, enfim, cada um é como cada qual. Estava, dizia eu, confortavelmente instalado na sanita, quando tocou o meu iPhone. Há anos que ninguém me telefonava de manhã cedo, talvez o simples facto de possuir um iPhone atraia as comunicações. Ainda hesitei em atender, mas que raios, agora que tenho um aparelho de ultimo grito, o mínimo é atender as chamadas. Para chegar ao objecto, instalado num estojo de pele (desses que custam 50 euros) preso ao cinto, tive que me levantar da sanita. Peguei nele, mas, ou por ter pouca experiencia na manipulação de telemóveis, ou por o iPhone ter uma forma mais esguia do que um banal telemóvel, a verdade é me resvalou das mãos, passou-me entre as pernas e... foi aterrar na sanita. Imaginem o meu desgosto, pois ainda não tinha puxado o autoclismo. Fiquei a olhar para ele, a comunicação devia ser importante, o bicho não parava de estremecer no meio da .... Ainda por cima, parece que o ecrã não suporta a gordura, e todo ele detesta a humidade. Retirei o desgraçado, coloquei-o num saco plástico e espero que seque e deixe de feder para tentar recuperar o que puder ser recuperável. Até lá, que ninguém me telefone, pois não atendo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Medalhas, coisa de pobres

Os desgraçados dos chineses esfarrapam-se para obter medalhas de ouro, prata e bronze, até latão se houvesse, seguidos dos EU e muitos outros países miseráveis, que necessitam das medalhas como pão para a boca. É vê-los a bufar que nem touros para ganhar os 100m, dar ao cu debaixo de água para avançar mais depressa, com risco de dar um mau jeito na espinha, levantar pesos mais pesados do que eles, arriscando-se a partir o pescoço.... Enfim, países pobres, a quem uma medalha dá esperança, nem que efémera, de dias melhores.
Nós, portugueses, participamos nestes jogos olímpicos com a tranquilidade de quem tem os cofres atestados de medalhas, ganhas na labuta diária, ou não fôssemos um povo de trabalhadores.
Alterando ligeiramente o lema olímpico, de Citius, altius, fortius para devagarius se vai ao longius - de Lisboa a Pequim é longe pra carvalho - correndo por correr, remando por remar, tranquilamente, sem nos metermos nas confusões de chegar nos grupos da frente, com risco de ser empurrados, pisados ou levar alguma cotovelada. Com o altruismo que nos caracteriza, as medalhas deixamos-las para quem precisa.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Saudades

A saudade, a par da sardinha assada, cuspir e atirar as cascas de amendoins e tremoços para o chão, é certamente uma das características da identidade genética dos portugueses. Podemos falar várias línguas, viver a milhares de Km do território nacional, comer Sushis pizzas ou fondue, mas a saudade relembra-nos as nossas raízes. Hoje, sem motivo preciso, dei comigo a ter saudades da praia de Âncora. Poucas vezes lá fui, recordo-me (sem saudade) das águas geladas do mar, que nos enquerquilhavam os tomates, mas sobretudo dos charcos de água em alturas de maré baixa, aquecidos pelo sol e enriquecidos com os detritos do rio Âncora. Nessas piscinas naturais, além de se retemperar os acima falados, havia sempre uma animação suplementar: não era raro, ao vir à tona de um mergulho, ter pendurada no nariz uma camisa (sem mangas), grãos de merda nas orelhas e outras preciosidades arrastadas pelo riacho. Muitas vezes, havia mais gente a banhos nos charcos que no mar, e não me recordo de ouvir dizer que houvesse grandes epidemias, alergias ou indisposições. Também é verdade que não existiam médicos ou centros de saúde onde uma pessoa se ir queixar de diarreias, vómitos e enjoos. Talvez também a merda de outros tempos fosse mais saudável do que são hoje muitos alimentos. Enfim saudades, são como gostos e cores, cada um tem as tem e não se discutem.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Petróleo em Boliqueime

Todas as quintas-feiras, dia de folga, consagro (ou perco, consoante), duas a três horas aos assuntos da pátria. Primeiro, leio as edições da semana da Mailing-List “O correio dos outros”, excelente trabalho do Pedro Aniceto dedicado à comunidade Apple Portuguesa. Depois, percorro alguns blogues, nomeadamente o Jumento e Reflexões de um cão com pulgas, este também do Pedro Aniceto. E depois leio os jornais – O Publico, desde sempre o meu preferido, o Diário Digital, JN, Expresso e SOL.
Esta Quinta-Feira, no Publico e depois nos outros media, chamou-me a atenção a intervenção do Presidente da Republica, assunto tabu, agendada para as 8 da noite, em directo, nos telejornais. Depois da habitual partida de ténis, pelas duas da tarde, de regresso a casa, voltei a consultar os jornais on-line, e todos sem excepção, mencionavam a intervenção, inédita do Sr. Silva – O assunto devia ser importante, para o homem interromper as férias e dirigir-se ao país.
Quinta-Feira é também o meu dia de participar à tarefa de limpeza caseira - Passar o aspirador, limpar a casa de banho, cozinha e corredor, limpar o pó. Hoje ficou tudo mal limpo. Passei o tempo a “espreitar” as notícias do burgo no meu iMAC; saltava do DD para o Publico, deste para o Expresso, e por aí adiante . O suspense atingia o auge. Que raio de coisa tão importante se passava na minha pátria para o Silva intervir às 20H, em directo nos Telejornais? Factos, relevantes, no meu cantinho à beira-mar plantado, à parte o Cristiano Ronaldo ter comido mais uma celebridade, O Camelo estar finalmente em vias de o ser, e o Boavista descer de divisão, não conseguia descortinar. Será que o Sr. Silva iria vetar a pretensão do Camelo a ser realmente Camelo? Era uma hipótese. Contudo, para interromper as férias, deveria ser algo de muito mais importante. Estava a limpar a sanita, quando se fez túnel ao fundo da luz – neste momento, o que preocupa realmente os portugueses é o preço da gasolina. E se o Presidente, de férias em Boliqueime, tivesse descoberto um poço de petróleo, para mais sem fundo? Era um motivo mais do que importante para intervir em directo nos TJs - anunciar a gasolina a 50 ct. E assim responder ao computador a 20 Euros do Sócrates.
Uma vez não é costume, depois do jantar, sintonizei a televisão na RTPI. Apostei um jantar – que me apetecia oferecer – com a minha esposa e a minha filha, que o Sr. Silva iria anunciar a descoberta de petróleo em Boliqueime. Quando o sujeito começou a balbuciar disparates inaudíveis sobre os Açores – se ainda fosse sobre as Berlengas – vi logo que tinha que pagar o jantar, facto logo confirmado pelo José Rodrigues dos Santos – A montanha pariu um rato.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Joder, macho !

Este últimos tempos tenho verificado em pormenor as minhas costelas, à cata de algumas da banda de lá (do rio Minho). Natural de uma aldeia que dista 300m da Galiza é possível que algum dos meus antepassados seja galego, ou pelo menos arraçado, legitimando assim o orgulho que sinto quando Rafael Nadal vence Roland Garros e Wimbledon, estando prestes a destronar Federer, a selecção se sagra campeã da Europa e Carlos Sastre vence a Volta a França.
E viva España.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ecologia

Hoje, um fulano não pode limpar as nádegas a alguns centímetros de papel sem ficar com um peso na consciência. Alguém que tenha consciência ecológica brevemente limpará o cu um dia ao papel, no outro aos dedos.

Li hoje um extenso artigo sobre o aquecimento global, a propósito da vinda de Al Gore a Lausanne, onde deu uma conferencia sobre aquecimento global, crise energética, consciência ecológica e afins. Al Gore saiu de barco a remos do seu Mississípi natal há meses, para desembarcar no lago Leman a tempo e horas para a conferencia. Consciência ecológica obriga, o senhor Al Gore evita o avião, sobretudos os jactos privados. Como os voos lowcost estão mais do que esgotados, o pobre homem vem de barco à vela, e quando não tem vento, rema.

Acredito que o planeta esteja a aquecer, embora por vezes tenha dúvidas, como agora, em que a 15 de Abril estão cinco graus e ontem mesmo nevou a 700 metros de altura. Mas acredito que esteja a aquecer, como acredito que se deveria poupar o petróleo.

Por exemplo, deveria ser interdito utilizar todos os dias o automóvel. Todo o cidadão, deveria abdicar de utilizar a sua viatura 2 ou três dias por semana. Como deveria ser interdito utilizar um jacto privado de quinze ou vinte lugares para transportar apenas duas ou três pessoas, ter um iate de 100 metros para três energúmenos, ou pavonear-se a dois em limusina de oito lugares.

E, se por uma vez me deixassem legislar, todo aquele que transgredisse, teria como castigo, puxar o jacto, limusina ou iate 5 Km com uma corda atada aos tomates. Talvez por aquecimento de (as) partes se conseguisse atingir os objectivos.