Há anos atrás, quinze ou vinte anos- ok, poderia ter dito no século passado, mas recuso-me a considerar-me assim tão velho, passei um momento de intensa perturbação moral, que por vezes ainda hoje me envergonha. Num autocarro repleto, mas não apinhado (a historia ocorreu na Suíça, não no Porto ou nas Telheiras), num momento de descontrolo, escapou-me um sonoro flato. Evidentemente, toda a gente me identificou como o autor, o que me obrigou a abreviar o trajecto e sair na próxima estação para escapar aos olhares de troça, acusação ou compaixão. Era a época em que toda a gente espiava o vizinho, observando o menor detalhe de indumentaria, o menor defeito físico, enfim, atentos a tudo o que se passava à nossa volta.
Há dias, aconteceu-me o mesmo, mas, virtudes da tecnologia, não precisei de corar nem abreviar a viagem. E que os meus vizinhos de trajecto, todos sem excepção, de iPod cangado nos ouvidos, só se aperceberam do sucedido quando o odor lhes chegou as narinas. E nesse momento, eu saboreei a minha vantagem : não só estava preparado para o odor (sabia que ia feder, pois a quantidade de gás sulfídrico e enxofre do peido era elevada, devido à sopa de cebola do almoço), como poderia acusar qualquer um do feito, bastando dirigir um olhar acusador para a vitima escolhida, sem que alguém me pudesse acusar.
Continuei tranquilamente a viagem, sabendo que poderia, caso a necessidade se fizesse sentir, expelir os gases sem problemas, pois a vizinhança, absorvida entre a musica dos iPod e a composição de SMS, não me poderia incriminar.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Uma grande final em perspectiva na Australia
Sábado Roger Federer teve que vestir o fato de operário e, como só ele sabe, vencer mais uma partida fantástica, 10-8 no quinto set, na sua caminhada para o pedestal de maior tenista de todos os tempos. Mesmo se não consigo esconder uma ligeira preferência por Rafael Nadal, talvez por ser um “hermano”, o talento e coragem de Roger Federer merecem toda a minha admiração. Espero com impaciência a final de sonho, Federer-Nadal, e que ganhe o melhor. Mas até lá, Dokovic, Hewitt ou qualquer outro podem intrometer-se e alteraras regras do jogo.
Havia alguma coisa no ar
A semana, para não dizer o ano, começou realmente na terça-feira com mais uma Macworld, a abrir um ano que promete novas proezas tecnológicas. Um novo Macbook Book, Air de seu nome; como sempre, mais do que a performance, são o design e inovações tecnológicas que suscitam admiração. Simples, bonito, caro, enfim, coisas bem feitas, como Steve Jobs nos habituou desde sempre. Com o descalabro do Benfica, ano após ano, ainda bem que a Apple não para de inovar e surpreender para nos dar alento e alguma coisa em que acreditar.
Air
Havia alguma coisa no ar. A semana, para não dizer o ano, começou realmente na terça-feira com mais uma Macworld, a abrir um ano que promete novas proezas tecnológicas. Um novo Macbook Book, Air de seu nome; como sempre, mais do que a performance, são o design e inovações tecnológicas que suscitam admiração. Simples, bonito, caro, enfim, coisas bem feitas, como Steve Jobs nos habituou desde sempre. Com o descalabro do Benfica, ano após ano, ainda bem que a Apple não para de inovar e surpreender para nos dar alento e alguma coisa em que acreditar.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Ano novo, vida nova.
Resoluções tomadas na euforia do fim de ano ou no dia de ano novo, dia de ressaca, raramente são para cumprir. Assim, decidi outorgar-me o tempo necessário para reflectir e, sem pressas, decidir o que fazer neste 2008. Primeiro, uma retrospectiva do ano findo, e porque não dos anteriores. Afinal, a mudar, terá que ser para melhor, senão não vale a pena. Primeira tarefa, encontrar-me os principais defeitos, aqueles que me complicaram a vida em 2007. Começo pelo plano profissional.
A primeira vista, até nem encontro grandes defeitos. O ano de 2007 so não foi melhor por falta de sorte ou por um conjunto de circunstancias independentes da minha vontade ou das minhas capacidades. Pondo de lado falsas modéstias, até sou tão bom como o meu superior hierárquico. Em alguns domínios, sou mesmo melhor do que o director. Não sou responsável de departamento ou director, não por falta de capacidades, mas porque entrei para empresa à menos de dois anos, e os que o são já tem anos e anos de “casa”. Se eu também tivesse anos e anos de casa, de certeza que era RD, ou mesmo, porque não DG. Portanto, no plano profissional, não há grandes resoluções a tomar. Poderia ser melhor, mas também poderia ser pior. Assim, pesados os por e contras, mais vale não mexer em nada, pelo menos para já. Em 2009, logo veremos. Ufa, primeiro respiro de alivio.
Arrumada a questão profissional, viro-me para o campo pessoal. Também neste, convém diagnosticar os defeitos. Assim, num primeiro exame, pelo menos à superfície, não me vejo com grandes defeitos. Faltam-me alguns dentes, mas são molares, dos que estão no fundo da boca. Salvo quando escancaro as goelas nalguma gargalhada descontrolada, o que acontece cada vez menos, ninguém da por isso. Portanto, a falta dos ditos complica-me bastante a vida, sobretudo quando se trata de mastigar um naco à mirandesa um pouco menos tenro, daqueles que fizeram Miranda do Douro – Lisboa a pé.
Para um exame mais detalhado, ponho-me em frente ao espelho; algumas rugas, mas até já me disseram que me davam um certo “charme”. Os cabelos grisalhos, desde os vinte anos que os tenho, é difícil dizer se tenho mais agora, ou quando tinha trinta anos. Só quando me vejo de perfil, me parece ter um nariz um pouco desproporcionado. Enfim, não vamos procurar pulgas, o principal é a beleza interior, o que me falta em plástica exterior, sobra-me em sentimentos nobres. Para já, não vejo necessidade de grandes resoluções. Olho-me de alto abaixo, não preciso de esticar o focinho para ver as pontas dos pés, a barriga, não sendo musculosa, também não destoa.
Feito o balanço, posso adiar as resoluções para o ano próximo, ou mesmo para 2010.
A primeira vista, até nem encontro grandes defeitos. O ano de 2007 so não foi melhor por falta de sorte ou por um conjunto de circunstancias independentes da minha vontade ou das minhas capacidades. Pondo de lado falsas modéstias, até sou tão bom como o meu superior hierárquico. Em alguns domínios, sou mesmo melhor do que o director. Não sou responsável de departamento ou director, não por falta de capacidades, mas porque entrei para empresa à menos de dois anos, e os que o são já tem anos e anos de “casa”. Se eu também tivesse anos e anos de casa, de certeza que era RD, ou mesmo, porque não DG. Portanto, no plano profissional, não há grandes resoluções a tomar. Poderia ser melhor, mas também poderia ser pior. Assim, pesados os por e contras, mais vale não mexer em nada, pelo menos para já. Em 2009, logo veremos. Ufa, primeiro respiro de alivio.
Arrumada a questão profissional, viro-me para o campo pessoal. Também neste, convém diagnosticar os defeitos. Assim, num primeiro exame, pelo menos à superfície, não me vejo com grandes defeitos. Faltam-me alguns dentes, mas são molares, dos que estão no fundo da boca. Salvo quando escancaro as goelas nalguma gargalhada descontrolada, o que acontece cada vez menos, ninguém da por isso. Portanto, a falta dos ditos complica-me bastante a vida, sobretudo quando se trata de mastigar um naco à mirandesa um pouco menos tenro, daqueles que fizeram Miranda do Douro – Lisboa a pé.
Para um exame mais detalhado, ponho-me em frente ao espelho; algumas rugas, mas até já me disseram que me davam um certo “charme”. Os cabelos grisalhos, desde os vinte anos que os tenho, é difícil dizer se tenho mais agora, ou quando tinha trinta anos. Só quando me vejo de perfil, me parece ter um nariz um pouco desproporcionado. Enfim, não vamos procurar pulgas, o principal é a beleza interior, o que me falta em plástica exterior, sobra-me em sentimentos nobres. Para já, não vejo necessidade de grandes resoluções. Olho-me de alto abaixo, não preciso de esticar o focinho para ver as pontas dos pés, a barriga, não sendo musculosa, também não destoa.
Feito o balanço, posso adiar as resoluções para o ano próximo, ou mesmo para 2010.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Uma grama ou milímetro a menos de egoísmo.
2007 chega ao fim; tempo de balanços, retrospectivas e novas resoluções para o ano de 2008 que esta à porta.
De 2007, pouco ou nada de bom retenho. Perdi mais algumas costelas da alma portuguesa, pouco a pouco deixo de ser português, para não conseguir ser nada.
Definitivamente agnóstico, não festejei o natal, não comi bacalhau com couves, filhoses ou bolo-rei. Não decorei a arvore, que à dois anos não sai da cave, não distribui nem recebi prendas.
Na lenta rotação da vida sobre si mesma, os laços familiares vão-se corroendo, de sólidas amarras passam a frágeis linhas, a amizade é substituída por rancores e aversão.
Não sei se o egoísmo se pesa ou se mede, mas um ano 2008 com uma grama a menos de egoísmo, seria já um bom ano.
De 2007, pouco ou nada de bom retenho. Perdi mais algumas costelas da alma portuguesa, pouco a pouco deixo de ser português, para não conseguir ser nada.
Definitivamente agnóstico, não festejei o natal, não comi bacalhau com couves, filhoses ou bolo-rei. Não decorei a arvore, que à dois anos não sai da cave, não distribui nem recebi prendas.
Na lenta rotação da vida sobre si mesma, os laços familiares vão-se corroendo, de sólidas amarras passam a frágeis linhas, a amizade é substituída por rancores e aversão.
Não sei se o egoísmo se pesa ou se mede, mas um ano 2008 com uma grama a menos de egoísmo, seria já um bom ano.
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