quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fotos de sexo



Publicadas sem a devida autorização dos autores

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Saindo da recessão

Hoje foi um dia em que ganhei muito dinheiro, como diz o José Sócrates pode ser o principio do fim da crise . Precisando de refazer o guarda roupa - camisas, gravatas, meia dúzia de pares de miotes e três ou quatro pares de ceroulas, fui deambular pelo centro da cidade. Após meia hora de «window-shopping», passei em frente ao Palace, por volta das onze. Como as compras durariam entre hora e hora e meia, quando acabasse estaria na hora de almoçar. Dei uma olhadela ao cardápio, menu «businness» a 60 €, uma taça de champagne em aperitivo a 15€, café e cognac, a factura rondaria os 100 €. Entrei para reservar uma mesa, viria por volta das 12h30 - 12h45.

Continuando a caminhada, decidi-me a entrar numa das luxuosas lojas da rua comercial mais chique cá do burgo. Logo abordado por uma vendedora, expliquei o que necessitava. Experimentei uma camisa Pierre Cardin, que me assentou como uma luva - a 150 € também não seria de esperar outra coisa. Ficou assente que o número e modelo me convinham, bastava escolher as cores. Uma azul, uma às riscas, outra em tons esverdeados, outra aos quadrados, com as respectivas gravatas e miotes a condizer. As ceroulas, Gucci, 80 €, em três coloridos diferentes, foram de escolha rápida. A vendedora ainda me chamou a atenção para um fato em promoção, uma autêntica pechincha. Feitas as contas, 4 camisas a 150€, 3 gravatas a 60 €, 4 pares de miotes a 20 €, mais o fato a 750 €, assim por alto, 1800 €. Pedi que me pusessem tudo de lado, ia almoçar ao Palace e no regresso decidiria se levava o fato ou não.

Dirigindo-me em direcção ao Palace, disse-me a mim mesmo - porque não ganhar umas centenas de euros sem fazer nada? Sobretudo que nestes tempos de crise nada é demais. Passei em frente ao Palace, mas não entrei. Em vez disso, fui comer à tasca do Donald, um pouco mais adiante, um prego americano e uma tijela de Alvarinho de Friestas pour 5 €, o equivalente à gorjeta que teria de deixar no Palace. Feitas as contas, comi de borla e ganhei 100 €. Também não voltei à loja. Uma vez que em breve penso ir Portugal, passo na feira de Cerveira e pour 250 ou 300 € compro o fato, as camisas, as gravatas os miotes e as ceroulas, e a coisa bem trabalhada, ainda me oferecem dois panos de cozinha e um mata moscas. 1800 € menos 300€, 1500 € ganhos, limpos de impostos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A praia, o parque e o ifi

Este ano o senhor Gregório passa a maior do tempo na tenda do parque de campismo, vai de manhãzinha à praia molhar os pés, logo depois de regressar do mercado, depois não abandona mais o parque. Nos anos anteriores, passava a tarde na praia, debaixo do chapéu, ora apanhando frio e cacimba - é raro na Praia de St. Cruz estar bom tempo - ora apanhando com a areia nas ventas. O esforço e sacrifício eram magramente compensados, com o aguçar do olho sobre as nádegas e tetas das morenaças que passavam. De ano para ano - já lá vão trinta anos que o Gregório passa um mês de ferias no mesmo parque de campismo - ia mantendo em dia uma contabilidade sui generis - os centímetros de tecido cobrindo as partes diminuíam a olho nu. Da cueca cobrindo todo o rabo e boa parte das coxas de há trinta anos atrás até ao fio enfiado no cu e os dois centímetros quadrados de tecido na parte da frente de hoje, que evolução!
Mas este ano, o Gregório mandou a contabilidade às ortigas, já não precisa de apanhar com o frio e areia nas ventas para aguçar o apetite e isso graças ao plano tecnológico do Engenheiro (mesmo que não o seja, como pretendem alguns invejosos). Uma tarde, o Gregório apanhou o neto na tenda embicado com o Magalhães, exercitando a mão direita, aquecido pelo que via no écran. Após negociações - chantagem, diria o neto, este consentiu em alugar o Magalhães ao avo durante as tardes e a mostrar-lhe como aceder ao ifi do parque a troco de uns cêntimos para uma imperial e umas caracoletas no bar da praia.
Recostado no cadeirão, no interior do avançado, retirado de olhares indiscretos, o Gregorio passou a surfar, não nas agitadas vagas do Atlântico, mas nas quentes vagas do portnotube.
A D. Deolinda, essa passou o mês a tranquilizar amigos e conhecidos - não, O Gregório não está doente, vem todos os dias de manhãzinha à praia, mas à tarde aproveitando a bondade do neto, que lhe empresta o Magalhães, dedica-se à aprendizagem da polgamação. E faz-lhe muito bem exercitar o cérebro, dizia a D. Deolinda, parece que está mais novo 20 anos!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Historias de emigração

Com a chegada do mês de Agosto, chega a grande vaga dos emigrantes a Portugal, animando as desertificadas aldeias e vilas do interior. Emigrantes desejados e queridos pelo carcanhol que deixam nas suas terras, detestados por pavonearem o seu sucesso, ou fruto dos seus sacrifícios com carros de alta cilindrada, manias de superioridade e sobretudo por resmungarem em francês em tudo quanto é sitio.
Cada emigrante tem a sua historia e as suas recordações, e como tal eu também tenho a minha. Emigrei muito novo, com 13 anos rumei do meu Minho natal para o Norte do Norte de África, seguindo as pisadas de muitos familiares e conterrâneos.
Da minha primeira viagem, de comboio, acompanhado pelos meus avós, recordações inesquecíveis; a saída às 5h30 de Monção, vantagem de embarcar na primeira estação, um lugar sentado assegurado, pelo menos até ao Porto. Primeiro passatempo, contar as estações e apeadeiros até Viana do Castelo. De Viana até ao Porto, invadido pelo cansaço e sonolência, fruto de uma noite em branco devido à excitação da viagem, ia dormitando por intermitência, acordando com o barulho dos travões e solavancos da carruagem à chegada de cada estação. Pelas 10h, mudança de comboio em Campanhã, deixando a linha do Minho e embarcando na linha do Norte.

A chegada a Alfarelos, marcou a segunda etapa da viagem. Hora e meia de espera pelo comboio da Linha do Oeste, que ligava a Figueira a Lisboa, com paragem no destino final, Torres Vedras, pelas 8h30 da tarde. Em Alfarelos, altura de atacar o farnel, pasteis de bacalhau e coelho guisado, tudo regado com dois copos de Alvarinho de Friestas, morninho quanto baste. Um dos momentos altos em Alfarelos, foi a ida à retrete; a 20 metros da porta, o fedor intenso dissuadia o mais corajoso a aventurar-se mais longe, mas a aflição obrigou-me a fazer das tripas coração e entrar. Merda por todo o lado, moscas a zumbir, os pasteis de bacalhau e a perna de coelho às voltas no estômago.
Ainda só estava a meio da viagem, e que saudades já tinha da minha aldeia, onde uma pessoa se podia aliviar debaixo das latadas ou atrás de um carvalho, respirando o ar puro e perfumado do Verde Minho.

De Alfarelos até Torres Vedras, começou a aprendizagem do novo mundo, da nova língua. Expressões e nomes nunca ouvidos, a descoberta da letra V - em vez do bamos, do biba o vamos, o viva. Alguém ao lado dizia que lhe apetecia uma bica, ao que o colega retorquía que com o calor que estava sabia melhor uma imperial, estava eu longe de adivinhar que se tratava de um simples café ou de um fino. Uma das coisas que me chamou a atenção, foi a diferença dos bigodes das senhoras. A partir do Porto as senhoras que iam entrando tinham bigodes mais pequenos e claros, contrastando com os das senhoras da minha terra, mais pretos e compridos. Como característica comum, de Monção até Torres Vedras, o cheiro a suor e mijo. Esse, mais ou menos intenso, encontrou-se presente todo ao longo da viagem, atravessando as linhas do Minho, do Norte e do Oeste, verdadeiro elo de ligação entre povos e culturas - descendentes de Celtas como eu e dos Moçarabes de além Mondego.

domingo, 2 de agosto de 2009

Um Mil Mi-26

O maior e mais potente helicóptero do mundo, estacionado em Lausanne

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Curiosidades



Numa recente incursão na Eslovénia....

Allez Benficá (ai Jesus)

Após prolongada convalescença, e enquanto conseguir escapar às pandemias anunciadas, eis-me de volta à blogosfera (como isto soa chique).
Talvez deva explicar que a ausência, e porque mencionei convalescença, se deveu a profunda depressão. Não, não teve nada a ver com a crise financeira, subprimes, activos tóxicos ou recessão. A vantagem dos pelintras como eu - até ao dia 10 botamos figura, depois temos 20 dias para recuperar das toxinas - é que conseguimos sempre passar imunes a essas oscilações brutais de fortuna, situações terríveis como a dos Belmiros, Américos e Berardos, que diariamente se deitam com um activo de mil e muitos milhões, a meio da noite já só tem 600 ou 700 milhões, à hora do café lá conseguem recuperar mais uns cobres, para os voltar a perder no fim da tarde. Se eu estivesse numa situação dessas, balouçando sem parar entre riquíssimo e muito rico, penso que nunca mais recuperaria, para escrever duas linhas teria que as encomendar a algum assessor de comunicação.
Não, a depressão deveu-se ao meu caro Benfica. Relegado para um reles 3° lugar, mais uma vez humilhado por clubecos de bairro, ainda por cima mandou embora o Quique, gajo porreiro, bonito de se ver na TV, sobretudo agora que começava a arranhar o português, a coisa prometia para a nova época.
Enfim, nova época, nova vida, guardemos a fé, este ano vamos ganhar, sobretudo que com uma equipa completa que não fala português, os jogadores em campo vão-se deixar de conversa fiada para fazer o deve ser feito - calar de vez o Pinto da Costa e cortar o pio ao Paulo Bento.
Allez Benficá.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dia de ir à merda

Da quadra pascal guardo muitos "souvenirs", por exemplo, a cóboiada do confesso, onde no acto mesmo se pecava, ao inventar pecados que o padre gostava de ouvir - por exemplo confessar como pecado consumido o fantasma de apalpar as mamas da Gloria ou as coxas da Teresa, pecados que o abade se empenhava em desenvolver, procurando sempre saber mais, se não tinha apalpado mais nada, e a mais ninguém. Curiosamente, mais o rol de pecados aumentava, mais branda era a penitência.
Por exemplo, o fartote de doçarias, entre pães de ló, tortas, bolos de coco e por aí fora; A festa começava nos dias anteriores, onde em troca de lavar a louça ganhava o direito de rapar os tachos com os restos das massas dos bolos, tendo mesmo direito a um copo de vinho "fino".
Por exemplo, estrear calças novas, por vezes um casaco, quase sempre uns sapatos. Ainda me lembro de uma vez em que ia apanhando uma tareia, por no dia mesmo ter estragado a biqueira do pé direito, fruto de um penalti apontado à Eusébio, numa peladinha jogada no caminho, enquanto se esperava a chegada da comitiva pascal, valeu-me a solenidade da quadra para escapar ao castigo.
Por exemplo, no sábado ao cair da tarde ter ir pedir merda ao Anselmo. Sim, merda - mais precisamente bosta de vaca - necessária para, juntamente com borralha fazer a mistura que vedaria a porta do forno onde no domingo de manhã assaria o carneiro ou ovelha tradicionais da quadra.